A primeira infância é o período que compreende o nascimento e os primeiros seis anos de vida da criança. Mesmo antes da criança começar a falar e andar ela está passando por processos de desenvolvimento, que são influenciados pela realidade na qual ela está inserida e serão fundamentais no seu desenvolvimento. Os estímulos que as crianças recebem durante a primeira infância têm a capacidade de influenciar no crescimento físico, na aquisição de movimentos, no amadurecimento do cérebro e das funções cognitivas, na capacidade de aprendizagem e na forma como elas irão se relacionar, social e afetivamente, quando forem mais velhas e até mesmo quando atingirem a fase adulta.

É durante a primeira infância que ocorre o maior desenvolvimento cognitivo das crianças, que será fundamental para elas desenvolverem plenamente suas habilidades. A atenção à primeira infância ajuda as crianças nas atividades escolares dos anos posteriores, reduzindo a possibilidade de evasão escolar, e possibilita a construção das competências que serão necessárias para a vida adulta na nossa sociedade.

Nesse momento da vida, o vínculo afetivo que a criança estabelece com a mãe, o pai ou com alguém que os represente é fundamental. São a partir dessas interações que a criança aprende a interagir, começa a se comunicar e inicia a capacidade de desenvolver empatia, interferindo na forma como ela vai se relacionar com as outras pessoas quando for adulta. Nossa sociedade e, consequentemente nossas políticas públicas, precisam estar preparadas para permitir que as crianças recebam todo o vínculo afetivo necessário para um bom desenvolvimento durante a primeira infância. Investir na primeira infância enquanto política pública é estratégico porque é nesse momento que ocorre a principal parte da construção do indivíduo, formando as bases que vão dar sustentação para as construções posteriores. Essa é a melhor estratégia para alcançar o desenvolvimento estável da sociedade, uma forma eficiente de garantir as estruturas necessárias para assegurar a todas as pessoas uma vida plena no âmbito da saúde física e mental, permitindo o desenvolvimento, o aprendizado e a formação para os valores da vida democrática.

Uma nação que investe em primeira infância é uma nação mais inteligente, que destina às suas crianças o melhor de seus recursos, não apenas porque cumpre seu dever ético e político, mas também porque lança as bases de uma sociedade mais desenvolvida e que vai ter estrutura suficiente para continuar percorrendo o caminho do desenvolvimento justo e sustentável. O investimento na primeira infância deve ser encarado como um projeto de nação e diz respeito às competências da União, Estados e municípios, ou seja, todos os entes federativos atuando em conjunto, de forma articulada e com mecanismos de cooperação, comprometidos com os direitos da criança e, consequentemente, com o futuro da sociedade. Fortalecer as políticas públicas voltadas à primeira infância é investir no futuro da nossa sociedade e é a nossa maior responsabilidade. Precisamos de um regime de colaboração entre União, Estado e municípios, que coloque São Paulo na liderança do desenvolvimento infantil.